Tênis sob medida não evitam contusões

Um estudo americano sugere que os tênis de corrida feitos sob medida para cada formato do pé não protegem contra lesões.

Os resultados da pesquisa realizada pelo programa de prevenção de lesões do Comando de Saúde Pública do Exército dos EUA, em Maryland, foram publicados no "American Journal of Sports Medicine".

A New Balance, fabricante dos tênis usados no estudo, ajuda os corredores a escolher os melhores calçados de acordo com a forma de pé, na campanha on-line da companhia "Find your Total Fit" (algo como "encontre o conforto total").

"Simplesmente medir a morfologia do pé com esse tipo de técnica não é suficiente para a prescrição de calçados se o seu objetivo é impedir lesões", disse Bruce Jones, um dos pesquisadores responsáveis pelo estudo.

O mercado de sapatos comercializa diferentes modelos de tênis para corredores, com base em como seus pés se movimentam e distribuem o peso quando tocam o chão --um termo designado como pronação.

Nos pronadores, a pisada se inicia do lado externo do calcanhar, para então ocorrer uma rotação acentuada do pé para dentro, terminando a passada perto do dedão; enquanto nos supinadores, a pisada inicia no calcanhar do lado externo e se mantem o contato do pé com o solo do lado externo, terminando a pisada na base do dedinho.
Os calçados são vendidos de acordo com o ajuste de algumas dessas diferenças, assim os corredores podem melhorar o desempenho e evitar lesões.

A pronação geralmente é medida pela análise de uma pisada plana, com o pé em contato com o solo quando o corredor está parado, um método usado por muitas lojas especializadas em corrida.

Mas os recrutas fuzileiros navais que foram equipados com esses tênis tiveram lesões com a mesma frequência do que aqueles com pisada neutra que receberam tênis feitos para corredores.

O epidemiologista do comando, Joseph Knapik, conduziu o estudo com cerca de 1.400 recrutas fuzileiros navais. Todos eles --homens e mulheres-- tiveram suas formas dos pés analisadas e foram divididos aleatoriamente em dois grupos.

Um grupo recebeu um tênis de corrida que foi comercializado para o seu tipo de pronação: corredores cujas pegadas foram indicadas como pronadoras receberam um calçado de controle de movimento; já os supinadores ganharam um amortecedor; e aqueles com pisada neutra receberam um tênis de estabilidade.

Todos os membros do outro grupo ganharam calçados de estabilidade, independentemente da sua forma do pé e pronação. Em seguida, os recrutas usaram os sapatos recebidos, alternando-se com botas de combate, durante 12 semanas de treinamento.

Durante o estudo, Knapik e seus colegas acompanharam diferentes tipos de lesões em recrutas, incluindo ferimentos do uso excessivo e lesões de tendões e ligamentos, bem como em ossos e músculos.

Em todos os sentidos que a equipe de estudo mediu as lesões, houve pouca diferença na frequência em que os membros dos dois grupos se feriram, tanto para homens quanto para mulheres.

Ao todo, cerca de 42% dos homens que receberam tênis personalizados e 41% do homens no grupo de calçados de estabilidade tiveram lesões durante o período de treinamento de 12 semanas. Para as mulheres, cerca de 37% com sapatos personalizados e cerca de 45% com tênis de estabilidade tiveram lesões, independentemente do tipo de pé --uma diferença que não foi estatisticamente significativa.

Os resultados estão de acordo com estudos semelhantes que pesquisadores realizaram com recrutas do Exército e da Força Aérea. Quando os dados de três estudos foram comparados, não houve uma diferença significativa em taxas de lesão com base na atribuição de calçados.

Os representantes da New Balance não foram encontrados para comentar.
Segundo Joseph Hamill, cientista do exercício na Universidade de Massachusetts em Amherst, os resultados explicam que a técnica que personaliza o tênis de corrida segundo a pisada não funciona.

"Isso não vai impedir as lesões" disse Hamill. Ele não esteve envolvido com o estudo.
Para fazer um análise mais aprofundada, os corredores precisam ser monitorados com equipamentos mais especializados. Mas muitas vezes, isto não é possível - para recrutas fuzileiros navais ou para os corredores recreativos. Jones disse ainda que não está claro como a técnica seria mais útil.

A mensagem para os corredores é para não se concentrarem demais no controle de movimento, no amortecimento e na estabilidade, disse Jones. "Isso significa que você pode escolher o tênis de que mais gosta e que o faz se sentir melhor."
O estudo teve apoio do Centro de Pesquisa de Saúde Naval e os investigadores declararam que não houve conflito de interesse na pesquisa.

Fonte:Folha

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