Luciana Vendramini foi ícone de beleza nos anos 90, se casou com Paulo Ricardo - então líder da RPM, uma das bandas de maior sucesso do país - e, de repente, saiu de cena. Ficou quatro anos afastada por causa do TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo), doença que já chegou a fazê-la ficar dez horas debaixo do chuveiro e um ano inteiro sem sair de casa.
Também teve depressão, “que veio com o pacote”, diz ela. Passou por um tratamento, teve recaídas e, de uns anos para cá, se dedicou ao teatro, mas se manteve afastada do grande público. “Hoje não tenho absolutamente nada que me impeça de viver tranquilamente, mas isso foi conquistado com muito tratamento e disciplina”, conta ela, que ainda se medica e faz análise.
Agora, Luciana quer voltar com tudo. Acabou de participar de uma novela e ensaia uma peça, “A Senhora de Dubuque”, que estreia em outubro, em São Paulo. Ainda este ano, vai rodar o filme “Andaluz”, também na capital paulista. E ainda tem relembrado os tempos de modelo em ensaios sensuais. A atriz fotografou para o Paparazzo, em ensaio que vai ao ar no próximo dia 7 de agosto.
“Depois dos 30, a mulher fica muito poderosa e confiante”, diz ela, que completa 40 anos em dezembro e com a experiência de quem posou nua aos 16. “Era muito nova e ingênua. Quando via escrito em alguma matéria que eu era símbolo sexual, ficava abismada. Primeiro porque na minha ingenuidade daquela época, achava que ser símbolo sexual estava ligado a sexo. Então não entendia, porque era virgem”.
Recentemente, uma declaração da atriz sobre a adolescência no Rio provocou um burburinho danado. Luciana disse que nesta época andava com uma turma que incluía Preta Gil e Amora Mautner, e que sonhava em ser como elas, mas era virgem e não usava drogas. “Quis dizer que nessa época éramos todas muito novinhas, e eu as achava supermodernas em comparação a mim, que tinha vindo do interior e ainda era virgem”, explica. “Eu era muito careta. Fumei maconha uma vez e foi a pior coisa que me aconteceu. Achei que nunca mais fosse voltar da famosa 'bad trip'. Acredito que minha síndrome do pânico foi acionada depois deste dia”.
Confira a entrevista.
Você ficou cinco anos sem atuar na TV. Por que voltar agora?
Fiquei sem atuar na TV por escolha mesmo, queria me dedicar intensamente ao teatro. Nessa época voltei a estudar com o diretor Antunes Filho, dei prioridade ao teatro. Nossa televisão é uma mídia poderosa, por isso o publico acha que estamos sumidos quando não estamos no ar. Nunca deixarei de fazer TV, adoro. Voltei porque tive um convite ótimo (para a novela “Uma rosa com amor”) e também já estava com saudades.
Quanto tempo ficou afastada do trabalho por problemas de saúde?
Fiquei afastada de 1998 a 2002. Foi muito difícil dar esse tempo, mas importante. Sou um pouco metódica e não costumo misturar as coisas. Quando se tem um problema emocional ou psicológico, precisamos focar e tratar. E foi isso que eu fiz. Vejo muita gente que trabalha tendo problemas, e isso acaba comprometendo a qualidade do trabalho. Esse afastamento foi uma opção minha e da minha família. Tive TOC e a depressão vem com o pacote. É muito difícil passar por esse problema sem se abater, mas assim que tratei o TOC, a depressão foi embora. Tive síndrome do pânico quando tinha 18 anos, e na época não tratei. Achei que fosse algo que pudesse passar logo, mas não é assim. Todos esses problemas psicológicos, se não forem tratados, não vão embora. É preciso ter consciência disso.
Quanto tempo sofreu com o TOC?
Tive TOC durante cinco anos, entre ter e tratar, mas passei por períodos críticos, como ficar um ano sem sair de casa. Levava muito tempo cumprindo os rituais de manias que a doença me colocava. Ficamos realmente reféns de um processo não lógico. Tive muitas manias que levavam horas e tomar banho era uma delas. Comecei demorando uma hora e, quando fui dar conta, cheguei a ficar dez horas no banho.
Ainda há coisas que ainda não consegue fazer?
Hoje não tenho absolutamente nada que me impeça de viver tranquilamente, mas isso foi conquistado com muito tratamento e disciplina .
Desde que se tratou, teve alguma recaída?
Tive uma recaída, sim. Foi há três anos, quando parei de tomar remédio. Em alguns casos, o remédio não pode ser suspenso totalmente, é preciso manter uma dosagem mínima.
Ainda toma remédios? Faz terapia?
Medicamento é muito importante em casos graves, ajuda muito. Procuro manter sempre uma visita de três em três meses com minha médica. Faço terapia e gostaria que todos tivessem acesso a ela também. Terapia ajuda muito no nosso amadurecimento e crescimento pessoal, aprendemos a nos aceitar, apesar de muita gente ainda achar que terapia é coisa de gente louca, o que ainda é uma ignorância no Brasil.
O que, afinal, rolou entre você e Roberto Carlos?
Essa história é muito divertida. Não tivemos nada, nenhum romance. Apenas uma amizade sincera e verdadeira. Nos aproximamos por termos o mesmo problema, que é o TOC. Conversávamos muito sobre isso, dividimos nossas dúvidas e assim conseguimos resolver melhor. Fora que ele é muito bem-humorado, e eu era muito dramática em relação ao TOC. Confesso que ele me ajudou muito. Mais do que eu a ele.
Além de voltar à TV, você tem feito ensaios sensuais A que se devem estas mudanças? Se sente mais segura agora?
Sou muito intensa em tudo que faço, seja no lado pessoal ou profissional. Fotografar é minha paixão. Toda vez que faço um ensaio, sempre tenho ótimas surpresas. Hoje sou mais confiante em posar, conheço meu corpo melhor, tenho mais domínio sobre ele, então o trabalho fica mais prazeroso. Eu mudo muito, e às vezes de repente. Essa mudança já vinha acontecendo interiormente, agora é só um fato. Adoro fazer mil coisas ao mesmo tempo, acho que isso é uma das facetas da mulher.
Não faz fotos sensuais para se sentir desejada?
É muito bom se sentir desejada, mas prefiro que seja com meu namorado. Com o público, quando sinto isso fico muito tímida, chego a não sair de casa por timidez mesmo. Quem me dera ter a autoestima elevada. Pelo contrário, é a aceitação máxima do limite humano, e não dá para acreditar que somos invencíveis, nunca acreditei nisso. Ter complexo de Deus não dá. Trabalho muito bem meu ego, não gosto de gente deslumbrada, ainda mais porque estamos só de passagem por essa vida.
Você era uma modelo muito desejada, considerada símbolo sexual... Como lidava com isso antes e como lida agora?
Na época em que era modelo, não tinha a menor noção das coisas. Tinha 15 anos, era muito nova e ingênua. Quando via escrito em alguma matéria que eu era símbolo sexual, ficava abismada. Primeiro porque na minha ingenuidade daquela época, achava que ser símbolo sexual estava ligado a sexo. Então não entendia, porque era virgem. Só depois fui entendendo, e mesmo assim nunca fiz poses que provassem esses efeitos, me achava muito simples. Hoje lido bem melhor. Sei onde fica a linha que divide o real do fantasioso na cabeça do público. Me acho mais interessante e atraente hoje do que quando era mais nova. Depois dos 30 a mulher fica muito poderosa e confiante, e isso melhora em tudo na nossa vida.
E o sexo, melhorou com o tempo?
Muda muito o sexo para a mulher depois dos 30. É mais intenso, mais prazeroso. Não fica aquela coisa automática de menina nova. Hoje sei o que me dá mais prazer. E também o tipo de atração que eu achava que tinha por homens naquela época não tem nada a ver com a que tenho hoje. Realmente, tudo melhora.
Você já disse que não lidava bem com a nudez... Se acha pudica?
Não lidava bem mesmo. Por viver no Rio, uma cidade muito à vontade com relação ao corpo, achei que a minha timidez de menina mudaria, mas não mudou. Já fui pudica sim, acho que mais por imposição indireta do colégio de freiras onde eu estudava... acaba que fica todo mundo mais travada mesmo. Mas com namorado meu isso não acontece (risos).
Recentemente você deu uma declaração sobre Preta Gil e Amora Mautner que causou burburinho (Luciana disse que queria ser como elas, mas que era virgem e não fumava maconha). Como era, afinal, conviver com esta turma naquela época?
Acho que o tititi foi porque eu não me expliquei. Quis dizer que nessa época éramos todas muito novinhas, e eu as achava supermodernas em comparação a mim, que tinha vindo do interior e ainda era virgem. No fundo, eu tinha vergonha de ser tão tímida e careta. Mas essa época foi maravilhosa. Éramos muito amigas e nos divertíamos muito juntas.
'Fumei maconha uma vez e foi a pior coisa que me aconteceu', diz a atriz
Você fazia parte do showbiz, foi casada com um dos ídolos da época, o Paulo Ricardo... Com todo esse turbilhão, dava mesmo para ser uma jovem caretinha?
Foram situações invertidas. Quando conheci o Paulo, ele tinha acabado a banda RPM e eu estava no auge da minha carreira e da minha vida. Nos apaixonamos e vivemos essa grande paixão que durou nove anos. Eu era bem careta, digo no estilo de vida. Trabalhava muito e estudava, então saía pouco. Drogas existem em qualquer meio de trabalho. Nunca me droguei, e mesmo o Paulo nunca me envolveu em nada disso. Ele tinha um zelo muito grande por mim, sabia que eu não curtia essa onda de drogas. Fumei maconha uma vez e foi a pior coisa que me aconteceu. Achei que nunca mais fosse voltar da famosa bad trip. Acredito que minha síndrome do pânico foi acionada depois deste dia.
Quais suas maiores lembranças daquela época?
Minha maior lembrança era a falta de tempo. Não tinha tempo para nada, trabalhava todos os dias.
Você posou nua aos 16 anos... Acha que amadureceu cedo?
O fato de ter feito o ensaio aos 16 anos foi um susto. Não pensei nas consequências desse ensaio. Com certeza amadureci muito e me conheci melhor.
Como é sua rotina hoje?
No momento não estou tendo tempo para descansar. Meu dia começa com uma reunião com meu assessor, quando determinamos o que fazer e qual será a agenda da semana. Depois, vou fotografar ou ensaiar a peça. Volto e vou pra ioga. Fiz esgrima durante sete anos, hoje não consigo ter tempo, o que lamento. Meu programa preferido é sair para jantar com amigos. Também gosto muito de ir com meus sobrinhos ao cinema e ao teatro, e adoro ficar em casa sem fazer nada. Sou bem simples, não preciso de coisas extravagantes para me deixar feliz.
Você é fã da série “House”. Diria que tem um lado hipocondríaco?
(Risos) Adoro esse seriado. O personagem central é humano ao extremo: sarcástico, mal-humorado, tem problemas com solidão, não consegue se entregar para a pessoa amada... Acho isso tão século 21, tão atual. Mas não sou hipocondríaca, pelo contrário. Tenho a maior relutância em tomar remédio, e isso foi um dos fatores que atrasaram meu tratamento com TOC.
Fonte:Globo
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