Hoje faz 34 anos da morte de Antonio Gomes de Barros.

(Colônia de Leopoldina (AL), 03 de março de 1915 - Maceió (AL), 12 de setembro de 1976)

O menino Antonio, nascido no dia 03 de março de 1915 no engenho Amapá, filho do seu proprietário Coronel Laurentino Gomes de Barros e de sua esposa Amália Gomes de Barros, foi um homem sempre ligado às suas raízes rurais, ao mundo simples e fascinante do campo.

Não foi por acaso, portanto, a sua escolha profissional como agrônomo, os seus hábitos caseiros, o seu tipo intuitivo e puro, o seu amor à natureza, a vocação aconchegante para a conversa, a bondade e o seu ingresso e ascensão na vida política.

O engenho Amapá situava-se no município de Colônia Leopoldina englobando vários municípios novos da atualidade como Novo Lino e Joaquim Gomes. O patriarca Laurentino envolvia-se inteiramente aos afazeres de suas propriedades e criação de sua numerosa prole constituída dos filhos, Mário, Carlos, Eraldo, Luís Alípio, Eraldo, Antonio, Paulo, José, Jarbas, Orlando, Olívia, Maria, Amália e Nelito.


Antonio, após estudar as primeiras letras em Colônia, foi estudar no Colégio Diocesano, em Maceió, e posteriormente no Lyceu Alagoano, escola pública famosa pela qualidade de ensino ministrada. As tarefas escolares do Lyceu eram encaradas com muita seriedade tendo em vista a preparação para o vestibular futuro.

Concluída a etapa dos estudos colegiais no velho Lyceu, Antonio recebeu o diploma equivalente hoje ao 2º grau e preparando-se nas matérias exigidas, passou por uma outra importante prova e, com isso, conseguiu ingressar na Faculdade de Agronomia da Universidade Rural de Pernambuco, situada em Dois Irmãos, no Recife.

Após receber o diploma superior na capital pernambucana, iniciou sua vida pública trabalhando no município de Murici como engenheiro agrônomo, contratado pelo Ministério da Agricultura. Pouco tempo depois, alcança o cargo de diretor da Estação Experimental de União dos Palmares, a conhecida Sementeira.


É nesta cidade onde decide fixar residência e a elege como sua Parságada. Nela passou os momentos mais importantes de sua vida. Desenvolveu seu conhecimento de agronomia, constituiu as amizades mais duradouras e conheceu Dona Gerusa, eterna namorada e admiradora.



Dona Gerusa e seus filhos

Casou-se em 1942, de cuja união nasceram os filhos Martha, Sílvia, Ester e Manoel. Era um casal feliz e integrado na sociedade. Finalmente ali tornou-se a mais forte liderança do município, seguindo a tradição dos Gomes de Barros, que já contavam com seus irmãos Mário e Carlos, os quais seriam deputados estaduais e federais; Paulo, que foi prefeito de Novo Lino em duas gestões; e José, que foi prefeito de Colônia Leopoldina; além, é claro, do pater-família, presença vigorosa na política alagoana.


O vaticínio de uma brilhante carreira confirmou-se com a eleição a Prefeito de União dos Palmares, em 1951, quando desenvolveu inúmeros projetos sociais voltados para a população humilde e a continuação, em 1954, quando se deu seu primeiro mandato para a Casa de Tavares Bastos.
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Foi reeleito deputado estadual em sucessivos pleitos, totalizando quatro legislaturas. No segundo biênio da primeira legislatura (1955-1958), foi escolhido primeiro secretário da casa legislativa estadual; segunda legislatura (1959-1962); terceira legislatura (1963-1966) e quarta legislatura (1967-1970), sendo eleito no primeiro biênio desta, Presidente da Assembléia Estadual, destacando-se na qualidade de presidente das comissões de Orçamento e de Assuntos Fazendários, de Comércio e Indústria, de Justiça e do Tribunal de Contas.

Em 1976, foi escolhido companheiro na chapa de Divaldo Suruagy que foi indicado Governador do Estado. Chegava ao ápice de sua carreira. Mas não foi um vice-governador decorativo. Participava de todas as decisões importantes do Governo, presidia os conselhos de 13 fundações e sociedades de economia mista, substituía o titular em suas viagens e impedimentos e o seu gabinete na Praça dos Martírios funcionava sem interrupção.

Sóbrio e com uma grande capacidade de percepção voltado para a causa pública, a plenitude do poder não tirava de Antonio Gomes a simplicidade que caracterizava sua vida. Sua escala de valores não se detinha na condição social, no status ou na riqueza de ninguém. Afeiçoava-se às pessoas pelo que elas representavam de bom, de positivo.


Destacavam-se também aos observadores o exemplo que dava no exercício da função pública. Utilizava o carro oficial exclusivamente nos compromissos oficiais. Das verbas orçamentárias correspondente às atividades do gabinete do vice-governador, devolvia sempre a metade do valor atribuído. Controlava espartanamente os gastos e não permitia a aquisição de objetos de luxo ou supérfluos.

Foi um político cordato, um bom pai, bom esposo, bom irmão, tinha a simplicidade e a sabedoria do homem interiorano. Não gostava de incomodar ninguém.


No episódio de sua morte, no dia 12 de setembro de 1976, conversava com seus amigos sobre a pálida exibição do seu CRB no primeiro tempo contra o Botafogo de João Pessoa quando começou a sentir-se mal no intervalo do jogo.

Havia médicos próximos inclusive o seu sobrinho Osvaldo Gomes e poderia pedir o carro do Governador Divaldo Suruagy que estava ali ou solicitar socorro a qualquer outra pessoa, mas preferiu, como era de seu feitio, sem fazer alarde, sair das cadeiras sozinho e sem dizer nada a ninguém, procurou um táxi embaixo e foi direto para casa onde logo morreu.

Alagoas sentiu a sua perda e demonstrou a sua dor por ocasião de seu sepultamento. O Estado inteiro parou para velá-lo no palácio Floriano Peixoto, até o momento final no Cemitério Parque das Flores.

Fonte:ATerradaliberdade

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