O alto índice de reprovação no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) já preocupa os especialistas e traz à tona a discussão sobre a disseminação das faculdades de direito e qualidade dos cursos aprovados pelo Ministério da Educação (MEC). Nove em cada dez bachareis são reprovados e o índice de aprovação na última prova da entidade, em dezembro de 2010 chegou a apenas 9,74%....
Esse resultado foi o pior da história da OAB, que até então tinha sido registrado no primeiro exame de 2010, quando somente 14% dos 95,7 mil inscritos foram aprovados. O fato da prova ser unificada foi apontado como um dos motivos para o índice de reprovação. A porcentagem de aprovados, na média entre os três concursos anuais, caiu de 28,8%, em 2008, para 13,25%, em 2010.
Antes, como cada estado fazia sua própria seleção, as provas poderiam ser mais fáceis em determinadas regiões do país. Em Alagoas foram 161 aprovados e no Nordeste apenas seis universidade ficaram entre as instituições com a maior aprovação: Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade Federal do Ceará (UFCE), Universidade Federal do Piauí (UFPI), Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e Universidade Federal de Sergipe (UFS).
Para o Professor e coordenador do mestrado de direito na Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Adrualdo Catão o resultado é fruto da falta de investimento no corpo docente, inclusive nas faculdades particulares do Estado, que tem aproximadamente 15 cursos de direito. Ele lembrou que o exame da ordem exige muito do candidato e que a grande demanda pelo curso poderia ser atendida, desde que seguisse alguns critérios.
“Acho que dois fatores contribuem para esses dados: O aumento no número faculdades, a procura maior pelo curso influi nessa reprovação e a falta de investimento das instituições, principalmente privadas. A maioria não tem professores-doutores, só contratam esses profissionais a peso de ouro quando querem ser reconhecidas pelo MEC e depois demitem”, afirmou.
Catão lembrou que quem pretende ser bacharel em direito deve começar a se preparar ainda no ensino médio. Ele lembrou que a OAB só participa do processo de criação do curso, mas o MEC deveria ser mais criterioso. “Não sou contra a criação de vagas, só acho que a instituição deve oferecer o mínimo de condições e qualidade. Também falta estrutura, porque o curso não tem laboratórios, mas exige uma boa biblioteca”, disse.
O professor afirmou que se o aluno sair despreparado da escola e for para uma faculdade que não tem um bom corpo docente não será um bom profissional. “A pós-graduação nessa área ainda é algo novo, a Ufal tem a única faculdade de direito em Alagoas que tem mestrado. Também acho que há dificuldade para as instituições encontrarem bons profissionais, não há um investimento para que o professor se especialize em determinada área”, ressaltou.
O conselheiro federal pela OAB/AL, Welton Roberto questionou, em seu blog no Cadaminuto, o fato do MEC ter autorizado mais de 32 cursos de direito no Brasil e informou os percentuais de aprovação das faculdades alagoanas: UFAL 45,05, FAL 15,28, CESMAC 9,31, SEUNE 9,24, IESC 7,69, CESAMA 7,35, IESA 6,12, FAMA 5,93, FCJAL 4,55, IMEC 2,86 e FRM 0%. Foram 718 inscritos do CESMAC e 65 aprovados; da FAL foram 150 e 22 aprovados; A FAMA teve 121 inscritos e 7 aprovados; Na SEUNE foram 120 inscritos e 11 aprovados; Na UFAL dos 112 inscritos 50 foram aprovados.
Fonte:Cadaminuto
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