Sem escolas, cerca de 25 mil seguem sem ter aulas em Alagoas

Quase três meses após as enchentes que devastaram o Estado de Alagoas, cerca de 3% dos estudantes seguem sem ter aulas. As chuvas de junho, que deixaram 26 mortos e mais de 70 mil desalojados e desabrigados

ainda causam prejuízos ao ano letivo de cerca de 25 mil estudantes, 3,1% do total de 782.033 estudantes do Estado.

Na rede estadual, que tem 224.871 alunos matriculados, 6.231 estudantes estão fora da sala de aula. Já na rede municipal, que registra 557.162 alunos, a situação é mais crítica e não há sequer um número oficial da quantidade de alunos sem aula – já que boa parte da documentação foi perdida com as enchentes. A estimativa é que em torno de 20 mil alunos do ensino fundamental continuem longe dos estudos.

Por conta destruição das escolas e ocupação de prédios públicos pelos desabrigados, os estudantes ainda não puderam voltar à rotina das aulas. “Fico com muito medo de perder o ano, porque não tenho nenhuma garantia de que as aulas vão começar logo. Espero que volte logo”, contou a estudante do 3º ano do ensino médio da escola Carlos Gomes de Barros, em União dos Palmares, Kelly Saturnino. No município, 3.829 alunos da rede estadual seguem fora da sala de aula. A escola onde Kelly estuda tem 1.774 matriculados, todos sem aulas.

Aos 17 anos, a estudante conta que ainda tem pretensão de prestar vestibular no fim do ano – embora não tenha escolhido o curso. “Não tenho visto mais meus colegas, mas acredito que todo mundo está receoso também”, conta ela.

Por ironia do destino, os irmãos Robson e Jobson da Silva, 10 e 12 anos, perderam suas casas e moram hoje na escola onde estudavam. Na última sexta-feira (3), quando o UOL Notícias os entrevistou, a mãe deles acabara de ser levada para ter bebê na maternidade do município.

Enquanto aguardavam a vinda dos pais com o novo irmão, eles contaram que também temem perder o ano letivo. "Até agora não disseram nada", diz o pequeno Robson, aluno da 5a série.

Mas no que depender dos desabrigados, a escola não será desocupada tão cedo. "Nós vamos esperar pelas casas para sair. Essas barracas não têm condições de morar. Quando chove, molha tudo. É melhor ficar por aqui", contou Geovani Ferreira, 65, uma espécie de porta-voz das cerca de 30 famílias que estão no local.

Em busca de soluções

Na terça-feira passada (31), representantes do Ministério da Educação estiveram no Estado e definiram que vão dar início a um diagnóstico completo da situação das escolas nas cidades afetadas pelas cheias dos rios.

Segundo a Secretaria de Estado da Educação, a maioria dos alunos das cidades atingidas pelas enchentes retornou às salas de aula. "Temos apenas problemas nas escolas que seguem ocupadas por desabrigados, que são quatro. Nas demais situações, já conseguimos absorver os alunos das escolas destruídas em outras unidades, com turnos intermediários", afirmou o secretário de Educação, Rogério Teófilo.

Apesar de União dos Palmares ser a cidade com maior número de alunos fora da sala de aula, a situação mais crítica é a de Santana do Mundaú, onde mais de 90% da parte urbana foi alagada pelo rio Mundaú e há dificuldade para encontrar um local para reconstrução. Todos os alunos da cidade seguem sem estudar. “Lá estamos com os alunos ainda fora da sala de aula, mas vamos montar uma escola temporária para tentar abrigar cerca de 1.200 alunos. Demorou mais que as outras cidades pela questão geográfica do município, que é localizado em um vale”, informou.

A presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) em Alagoas, Rosa Melo, garantiu que apesar do atraso, nenhum aluno deverá perder o ano letivo nessas cidades. “Vamos ter que montar um calendário alternativo, mas independentemente de quando as aulas voltem, elas vão retornar do ponto onde foram paralisadas. Não haverá mais prejuízos do que já existiu com a enchente”, disse.

Fonte:Uol

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